Pelo meu direito de ser puta - Um tapinha não dói?

Pelo meu direito de ser puta #1 – Um tapinha não dói

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Pelo meu direito de ser puta #1

Há tempos querendo começar essa coluna e nunca conseguia passar para o “papel”. Explicando o título: até hoje ouvimos aquela frase que diz que toda mulher tem que ser “dama na mesa e puta na cama”, mas percebi que isso só vale na teoria, porque na prática é bem diferente, e é incrível como as pessoas gostam de julgar os outros por suas vidas, gostos e preferências sexuais. Na primeira vez que participei de uma discussão sobre isso, onde fui julgada, inclusive meu caráter foi julgado, eu fiquei chocada de ver como as pessoas ainda tem a cabeça fechada e, além de não aceitar, elas não respeitam quem pensa diferente delas. Foi então que comentei que criaria o movimento “Pelo meu direito de ser puta”, para quem sabe conseguir expor o que eu e mais mulheres (e homens) pensam sobre sexo, para mostrar que todos merecem respeito e tem o direito de conduzir sua vida sexual da maneira que mais lhe agrade, e que ser puta ou não ser puta não é algo ruim, e não está relacionado à cobrar por sexo, ou por não se valorizar (não que puta não se valorize, muito pelo contrário, se valorizam e merecem respeito como qualquer outra mulher). A questão aqui é ser puta na cama, com seu companheiro, amigo, namorado, PA, marido. Puta no melhor e mais gostoso sentido da palavra.

Um tapinha não dói?

Já dizia aquele antigo funk, não é mesmo? Tudo bem, ninguém é obrigado a curtir ou concordar com isso, somente respeitar.

Sábado postei uma foto em meu perfil do twitter, que acabou tendo uma repercussão que eu não esperava. Desde gente perguntando se tinha sido sexo ou UFC, até gente vindo falar sobre Lei Maria da Penha e mulheres vítimas de violência doméstica. Não, ninguém foi espancado, foi só uma foto que mostrava marcas de tapa numa bunda. Tapas que rolaram durante o sexo. Qual o problema nisso? Nenhum! Cada um com seus gostos e preferências sexuais. Esse assunto já rolou várias vezes lá no twitter e o mais absurdo é ver que algumas pessoas não sabem separar as coisas. Várias vezes vi falarem que mulher que curte “apanhar” na cama, ou fala que entre quatro paredes vale tudo, não pode reclamar quando for desrespeitada ou agredida de alguma forma fora da cama.  Desde quando isso? Estamos em 2014 e as pessoas ainda julgam as mulheres por seus gostos e atitudes em relação a sexo.

Pelo meu direito de ser puta - Um tapinha não dói?

Pelo meu direito de ser puta – Um tapinha não dói? Foto: Meu Doce Veneno

Qualquer mulher que sofra agressão de qualquer tipo, seja física ou psicologicamente, pode, e deve denunciar sem que sua vida sexual seja questionada por isso. Ou vocês também acham que uma mulher que veste roupas curtas e/ou decotas para sair e é estuprada por alguém, também não pode denunciar? Vocês são daqueles que acham que ela provocou, pediu ou mereceu? Ela é menos mulher por usar roupas curtas?

Pelo meu direito de ser puta - Um tapinha não dói?

Agressão x Tesão – Maria da Penha?

Como o próprio Advogato aqui do MDV tentou explicar lá: “Quando falamos de uma situação onde AMBOS resolvem explorar sua sexualidade da forma que ambos gostam, nesse caso a ‘dominação’ na cama nada mais é que uma fantasia do casal, um fetiche, e não um modo de vida onde o homem se sente no direito de controlar a vida da mulher e agredi-la quando esta não correponde às suas expectativas” (sic). Então fica a pergunta: se ambos estão de acordo, se há tesão, se é consentido, onde está a agressão?

“O limite entre o carinho e a violência é pequeno”. Foi o que me falaram. Realmente, há uma linha tênue aí, que pode ser facilmente ultrapassada. Dar tapas não é para qualquer um. Tem que saber dosar a força e saber a hora de parar. E mais ainda, tem que saber ouvir um não ou um pedido para que pare. Saber entender, aceitar e respeitar isso. O limite entre o carinho e a violência/agressão é o respeito. A diferença é o tesão. As pessoas insistem em julgar e se meter na vida sexual alheia. Até quando? Durante o sexo, entre quatro paredes, o que acontece diz respeito à quem está lá, tem a ver com o tesão, e não com o que terceiros curtem ou não. Quando o assunto é tesão alheio, ninguém tem o direito de dizer se é certo ou errado (salvo raras exceções, que não vêm ao caso agora).

Pelo meu direito de ser puta - Um tapinha não dói?

Eu, você, fulano, beltrano e ciclano, temos o direito de sentir prazer da forma que preferirmos e sentirmos vontade, seja com pegada forte, amorzinho, bdsm, tapas ou beijos. Não sejamos moralistas, ou chatos. O negócio é sempre relaxar e gozar. Sexo cheio de regras e “não me toques” perde a espontaneidade, tão gostosa e característica dele. Ninguém é obrigado a gostar de tudo, mas o gostoso é se libertar, se permitir sentir prazer da forma que der vontade, sem se privar. Podemos nos surpreender assim.

Um tapinha não dói, e muito menos nos faz menos mulheres. Quando há respeito entre as partes envolvidas, vale tudo. Não confundam as coisas, e nada de vir falar sobre Lei Maria da Penha quando alguém falar que curte algo mais forte do que você, como tapas DURANTE o sexo. E parem de se incomodar tanto com a vida sexual dos outros, foquem na de vocês e em, quem sabe, abrir a cabeça e se permitirem mais. Gozem, não importa como!

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9 comments to Pelo meu direito de ser puta #1 – Um tapinha não dói

  • Walleska Vanuza  says:

    sexo pra mim tem que ter muitas chineladas na bunda!!adoro ficar com a bunda marcada.

  • Links do Papai #056 | Uh Papai Chegou!  says:

    […] Meu Doce Veneno – Pelo meu direito de ser puta #1 – Um tapinha não dói […]

  • Links da Pimenta #4 | apimentinhaesuascoisas  says:

    […] Meu Doce Veneno (+18) – Pelo meu direito de ser puta #1 – Um tapinha não dói […]

  • Jefferson Silva de Oliveira  says:

    Embora não precise de aprovação, seu texto e comentários foram recebidos com êxito muito provavelmente pela maioria dos seus leitores. Mesmo que possa haver diferentes opiniões sobre o assunto tratado.
    Procuro entender de forma bem objetiva algumas situações que envolvem o universo feminino e suas digamos, controvérsias. Eu mesmo já presenciei homens comentarem que a menina que usa um short hiper curto com a polpa da bunda aparecendo, não poderia reclamar se fosse violentada, pois a mesma estaria ‘incitando’ tal prática, sim, ouve-se isso por aí.
    Esse tipo de comentário suscita nenhum tipo de respeito pelo próximo. Independentemente.

    É interessante quando você ressalta sobre a sociedade na sua maioria ainda não terem certo desprendimento humano, achando que todos os valores considerados morais, são valores humanos. Confundem valor humano, com valor moral. Quando na verdade, sabemos bem, que a mais vulgar das prostitutas pode muito bem ser a melhor dos seres humanos, diferentemente da figura de aparente moralidade de terno e gravata das nossas grandes cidades.

    E como não ler o seu texto e não se lembrar da “Marcha das Vadias?” Mas que nome é esse, pensei. Achei que fosse uma passeata das garotas de programas lutando pelos direitos, de não sei o quê. Quando na verdade, o nome além de original é providencial. Deixem as pessoas se vestirem (o que incluem as mulheres) da maneira que melhor lhe convier. A resultante dessa soma ingrata falsa moralidade + desrespeito alheio + cultura machista = dias de hoje. No qual, nem ao menos uma mulher possa usar uma roupa na qual se sinta a vontade na faculdade em que frequenta.

    • Doce Veneno  says:

      O problema da Marcha das Vadias é q em mtos lugares ela se desvirtuou um pouco e encheu de feminazi q não tem q mínima noção de feminismo… fora aquelas que acham q vão conseguir algum respeito à causa ofendendo os outros, como aconteceu no RJ no ano passado.
      Mas é +/- isso… pq eu tenho q ser julgada pelas minhas preferências sexuais? Oq eu faço ou deixo de fazer qdo estou com alguém, é problema meu e de quem tiver comigo. Como diria Nelson Rodrigues, “se soubéssemos o que cada um faz entre quatro paredes, não nos daríamos bom dia.”. Mas é fácil julgar os outros e esquecer nós mesmos… é mais fácil cuidar da vida dos outros tb, já q a grama do vizinho é sempre mais verde…

  • Ksegovia  says:

    Tenho pra mim que gente feliz não cuida da vida dos outros. Dito isso, como pessoa gosto de levar uns tapas, arranhões que deixam marcas por dias, mordidas, e por aí vai, questão de escolha dos jogos sexuais que gosto, assim como quando a moça deixa claro que também gosta eu realizo os desejos dela, afinal de contas o sexo é bom assim, pra deixar o corpo mandar e esquecer dos problemas da vida diária. Finalizando, pra mim um tapinha não dói e sim excita.

    • Doce Veneno  says:

      <3
      Sexo é tesão... e tesão não existe pra ser podado ou controlado entre 4 paredes... quando agrada aos dois, relaxa e goza, se joga, se permita! É bem isso aí que vc disse mesmo.
      Beijos, querido!
      =*

  • Senhora Lúcifer (@Senhora_Lucifer)  says:

    Existe um abismo de diferença entre violência doméstica e BDSM.
    A mulher ou homem que gosta de sadomasoquismo escolhe, e não vejo nada de anormal, sou suspeita para falar que já sou sádica…rsrs

    Temos liberdade para escolher o que nos dá prazer.

    Ótimo post…beijos sua linda.

    • Doce Veneno  says:

      Que honra! Fico muito feliz com a sua aprovação! ^^

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