O machismo nosso de cada dia

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Mês passado eu coloquei no ar uma pesquisa chamada “Mulheres x Sexo: Ainda existe preconceito?” depois de ter recebido um depoimento anônimo que me deixou chocada lá na pesquisa sobre sexo oral, mas esse vai ser assunto para outro post. Depois de discutir este assunto com uma amiga, ela resolveu escrever um texto sobre as coisas pelas quais ela já passou por causa do machismo que ainda vemos no mundo de hoje.

Enjoy, delícias!

O Machismo nosso de cada dia - Madame C.

Madame C.

O Machismo nosso de cada dia

— por Madame C.

Quando a lindíssima Doce Veneno perguntou no twitter sobre a imagem que a plebe masculina fazia de mulheres bem resolvidas sexualmente vi um filme passando na minha cabeça. Meu primeiro impulso foi dizer qualquer coisa parecida com como os homens são babacas e tals, até que me dei conta de um pequeno detalhe: 98% da violência (física e verbal) que já sofri em “consequência da minha promiscuidade” (ouvi tanto que ás vezes parece que tenho a frase impressa na minha testa) partiu de mulheres.

Desde a minha apresentação ao conhecimento do meu próprio corpo (lê-se masturbação) até esse texto, ouvi pouquíssimas defesas femininas. E as ofensas e acusações nunca foram o pior disso tudo.

Levei duas grandes surras na minha vida. Uma na escola, quando comentei em segredo com uma amiga que havia descoberto a existência do prazer sem que ninguém estivesse comigo ou em mim. Devia saber que aos 15 anos não existe segredo. Em dois dias a escola inteira já sabia e eu me senti em meio à Inquisição. Queriam saber por que eu fazia aquilo, qual era meu problema, quem havia me ensinado e me informar o tamanho da culpa que eu deveria sentir. Não senti culpa alguma. Apanhei feio naquela semana do grupo de colegas. Não sentia nada na hora, juro, apenas me perguntava por que eu estava ali, apanhando. A vida seguiu, minha curiosidade foi aumentando, minhas descobertas também. Descobri que eu gostava de meninos e meninas, que tinha um prazer especial em tirar fotos sensuais e mostrar, como uma espécie de “vejam, eu me pertenço”. Minha mãe soube, viu, gritou, bateu, e mais uma vez eu me perguntei se eu merecia aquilo…

Essas duas surras mudaram muita coisa, me ensinaram muito. E eu nunca tive esse tipo de aprendizado com os homens. A violência quase nunca partiu deles. Nem mesmo exercendo o papel de puta eu era violentada, muito pelo contrário, a maioria demonstrou sempre um fascínio pela liberdade que eu vivia. Daí pude ver que machismo é uma palavra que sim, veio do comportamento masculino, mas não é uma característica exclusiva do gênero. Hoje está cada vez mais presente no meio feminino. Porque se fulana não tem papas na língua, é puta. Porque se beltrana sai com quem quer, quando quer e como quer, é puta. Por que se siclana dá no primeiro encontro, adivinhem? É puta também!!

Acho que está mais do que na hora dessa mulherada parar de encucar com o que a outra faz ou deixa de fazer e se concentrar no que importa de verdade: suas próprias vontades. Se concentrar e realizar.

Ahhh!E parar de culpar os homens pela prática da nossa babaquice.

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2 comments to O machismo nosso de cada dia

  • Lorenzo Adams  says:

    Acho que a dor pelo machismo vir de mulher dói mais do que de homem, apesar que não justifica nem um nem outro, infelizmente essas coisas vem de berço =/

    • Doce Veneno  says:

      infelizmente nosso machismo faz parte da nossa cultura… é coisa antiga, que vai passando de pai/mãe pra filho e filha, mas não podemos desistir de lutar contra isso, de tentar abrir a cabeça das pessoas, conversar e aprender…

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